JOÃO PEREIRA
A trajetória de João Pereira de Araújo começou em 1935, quando ele foi para Patu advindo de Jardim de Piranhas, onde trabalhava com a venda de óleo para cabelo. Ele se estabeleceu no sítio Cajueiro e, em 1940, morando no sítio Tuiuiú, casou-se com a filha do seu patrão, Dona Delinácia Queiroz. A partir daí, passou a residir no sítio Brejinho, onde criaram 12 filhos, a quem ele se dedicou a dar uma boa educação.
Sua entrada na vida pública aconteceu em 1958, quando se candidatou a vereador pela União Democrática Nacional (UDN) e foi eleito em segundo lugar. Em 1962, o mesmo grupo o incentivou a concorrer à prefeitura de Patu, e eleito com uma expressiva maioria, assumiu o cargo em 31 de março de 1963.
Em seu primeiro mandato, João Pereira de Araújo enfrentou diversas dificuldades, mas conseguiu realizar importantes obras. Entre elas, destacam-se a construção do Grupo Escolar Lauro Maia na comunidade Jatobá, a aquisição de um prédio para a prefeitura e a câmara municipal, a construção do Matadouro Municipal no Bairro Nova Brasília e do Grupo Escolar no Sítio Luciana e Palmeiras. Ele também iniciou a construção da Praça João Carlos, construiu a estrada para a Serra da Palmeira e implementou a energia elétrica de Paulo Afonso na zona urbana. Sua principal meta era dar assistência aos pobres, e ele demonstrou isso ao doar um terreno na Avenida Antônio Suassuna para que famílias de baixa renda pudessem construir suas casas.
No segundo mandato, ele foi reeleito com uma maioria de 358 votos, uma vitória notável para a imprensa, que destacou o fato de sua campanha ter sido financiada pelo próprio povo, que, em agradecimento pelos benefícios de sua primeira gestão, arrecadava dinheiro em latas para a campanha. As músicas de campanha, inclusive, falavam em nome dos pobres.
Em seu segundo mandato, João Pereira de Araújo continuou a trabalhar pelo desenvolvimento de Patu. Ele construiu outro matadouro, instalou um posto veterinário e serviços de telefonia da Telern. Ele iniciou a pavimentação da Avenida Lauro Maia, que em seu primeiro mandato havia desobstruído de lajedos de pedras. Solicitou ao governo de Cortez Pereira a construção da estrada que passava pelo Açude do Paulista, e conseguiu a iluminação pública de bairros e do cemitério, além de instalar a energia elétrica na repetidora de televisão na Serra do Pelado e três televisores públicos para a população.
O ex-deputado Valério Mesquita conta uma história que ilustra a personalidade de João Pereira. Certa vez, ele solicitou ao governador Walfredo Gurgel uma audiência para pedir a construção de um pontilhão. Ao perceber a relutância do governador, ele usou uma expressão peculiar: "Governador, é pouca coisa, em menos de merda eu faço o serviço". O governador, que fora professor de português, entendeu a expressão do "matutês" e atendeu ao pedido.
João Pereira de Araújo deixou a vida pública após o segundo mandato, deixando nos cofres da prefeitura a quantia de Cr$ 200.000,00 (Duzentos mil cruzeiros).
O legado político de João Pereira continuou com seus filhos. Ivanilde Queiroz de Araújo e Francisca Queiroz de Araújo foram vereadoras em 1969 e 1971, respectivamente. O filho José Pereira de Queiroz, conhecido como Deca Pereira, exerceu o cargo de vereador por três mandatos. Infelizmente, em 21 de maio, ele faleceu em sua residência no sítio Manuê, vítima de um ataque cardíaco. Sua esposa, Joana Darc Tavares de Moura Queiroz, foi eleita vereadora de 2005 a 2008, dando continuidade ao legado político da família.
O bairro mais popular de Patu foi batizado com seu nome, Conjunto João Pereira de Araújo. Uma das principais praças da cidade, a Praça José Pereira de Queiroz, conhecida como Praça do Povo, leva o nome de seu filho, honrando a história de um dos prefeitos mais populares de Patu, admirado principalmente pelos mais pobres.
A reportagem é de Aluísio Dutra de Oliveira, com informações da Revista Roteiros de Patu, de Miguel Câmara Rocha, e do jornal Tribuna do Norte.
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