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Mostrando postagens de maio, 2026
  José de Araújo Pereira contraiu matrimônio com Helena Barbosa de Albuquerque, filha do casal Hipólito de Sá Bezerra e Joana Barbosa de Albuquerque, residentes em São Gonçalo do Potengi, freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, atual Natal.  No acervo documental do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte conservam-se documentos relativos ao assentamento de praças da Companhia do Rio Grande, nos quais se faz menção a um irmão de Helena Barbosa de Albuquerque, cunhado, portanto, de José de Araújo Pereira.  Entre esses registros, consta o assentamento de João Pedro de Sá, identificado como filho de Hipólito de Sá Bezerra, natural da Ribeira do Potengi, na então Capitania do Rio Grande. O documento o descreve como homem branco, casado, com idade aproximada de vinte e cinco anos, de estatura baixa, corpo seco, rosto comprido e escamado, com pouca barba, conservando todos os dentes da frente e trazendo o cabelo liso.  Segundo o referido as...
  Josué Bezerra de Souza investido na patente de Coronel e senhor de vastas terras na Várzea da Jurema, em Pombal, veio ao mundo no alvorecer de setembro de 1865. No dia 22 de fevereiro de 1902, firmou aliança matrimonial com Isméria Bezerra Wanderley, dileta filha do Coronel Wanderley, de Patos, unindo assim dois importantes clãs do sertão paraibano.  A trajetória do Coronel Josué, contudo, transcendeu os limites da vida pastoril e do mando político; conforme o testemunho de Trajano Nóbrega, ele foi o spiritus movens e o principal executor da Escola Normal Rural de Pombal.  Demonstrou seu pendor cívico ao erguer o suntuoso edifício da instituição com o arrimo de seus próprios haveres e de seus conterrâneos, agindo sua sponte e apenas no ocaso da obra vindo a receber o auxílio das subvenções governamentais. Deixou, com esse gesto, um legado de erudição para a posteridade, consolidando sua memória como um benfeitor da instrução pública naquelas paragens.
    João Marques de Souza, filho legítimo do tenente Vicente Ferreira das Neves, também foi beneficiado com concessão de sesmaria. Conforme o registro da data nº 536, de 23 de agosto de 1760, declarou possuir gado e carecer de terras para sua criação, informando existir, no sertão do Cariri, terras devolutas situadas junto à serra da Borborema, no lugar denominado Riacho Escuro, que fazia barra no rio Caracó.  Acrescentou que, havia mais de um ano, seu pai ali introduzira bestas, as quais permaneciam no local sem qualquer contestação. Em razão disso, requereu a concessão dessas terras por sesmaria, no total de três léguas de comprimento e uma de largura, estabelecendo o peão na cachoeira chamada Cosme Pinto, confrontando, ao norte, com terras do capitão Antônio Dias Antunes; ao sul e ao nascente, com terras que haviam pertencido aos padres da Companhia; e, ao poente, com uma data anteriormente requerida por Francisco Tavares de Melo e outros.  Esclareceu, ainda, que,...

CORONEL GURGEL

  Francisco Gurgel de Oliveira, coronel da Guarda Nacional, nasceu em Caraúbas, no Rio Grande do Norte, sendo filho do segundo matrimônio de Antônio Francisco de Oliveira, tenente-coronel da Guarda Nacional, com Quitéria Ferreira de São Luís, conhecida como Dona Quitéria, natural de Aracati, no Ceará, filha do major José Gurgel do Amaral Filho e de Quitéria Ferreira de Barros, mulher de intensa religiosidade católica e destacada atuação na vida eclesiástica de Caraúbas, onde promoveu a criação da Paróquia de São Sebastião e a elevação da antiga capela à condição de igreja matriz.  Inserido em ambiente familiar de forte influência política, Francisco Gurgel construiu trajetória marcante na vida pública potiguar, destacando-se no complexo cenário político que se seguiu à queda de Miguel Castro, quando a coligação vencedora se fragmentou em razão da disputa pela vaga de deputado federal deixada por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, sendo esta reivindicada por José Bernardo de ...

BARÃO DO AÇU

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  No panteão da nobreza potiguar do período imperial, restrito a apenas quatro titulares, avulta a singular figura do Doutor Luís Gonzaga de Brito Guerra, o Barão do Açu. Diferenciando-se de seus pares, majoritariamente ligados à aristocracia fundiária, ele obteve a mercê imperial em virtude dos relevantes serviços prestados ao País através de uma brilhante carreira na magistratura, sendo o único entre os norte-rio-grandenses a ostentar a honraria "com Grandeza", prerrogativa que lhe permitia o uso do brasão com coroa de Visconde.  Natural de Campo Grande, onde nasceu a 27 de setembro de 1818, era filho de Simão Gomes de Brito e Maria Madalena de Medeiros, e encerrou seus dias em Caraúbas, em 6 de junho de 1896. Sua formação intelectual consolidou-se na tradicional Faculdade de Direito de Olinda, onde se bacharelou em ciências jurídicas e sociais na turma de 1839. O início de sua trajetória pública deu-se no sertão, empossado como juiz municipal dos Termos do Príncipe (atual ...

LUSITANOS

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  A formação física do povo português, tal como sucede com todos os agrupamentos humanos forjados ao longo dos séculos, não nasceu da uniformidade, mas da lenta e contínua sedimentação de povos, culturas e linhagens que atravessaram a Península Ibérica desde os tempos mais remotos.  Considerando montanhas atlânticas, planícies mediterrânicas e antigas rotas marítimas, Portugal constituiu-se como uma verdadeira encruzilhada histórica, onde sucessivas correntes humanas deixaram marcas visíveis na fisionomia, nos costumes e na memória coletiva de sua população. Inserido no vasto conjunto dos povos do sul europeu, o português tradicional apresenta, em linhas gerais, os traços característicos das populações mediterrânicas, embora tais aspectos variem conforme as regiões, as heranças familiares e os antigos movimentos de povoamento.  Predominam, sobretudo, os cabelos castanhos em várias tonalidades, muitas vezes escuros ou negros, de feição lisa ou suavemente ondulada, compondo...

1497 -

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  O surgimento dos chamados cristãos-novos na história de Portugal constituiu um dos mais profundos dramas sociais e religiosos da Península Ibérica no alvorecer da modernidade.  Não se tratava de um povo distinto em termos biológicos, tampouco de uma “raça” separada da população portuguesa, mas de uma comunidade definida pela violência da conversão compulsória, pela suspeita permanente e pela difícil convivência entre memória ancestral e imposição religiosa.  A partir do final do século XV, milhares de judeus portugueses foram arrancados de sua antiga fé e incorporados à cristandade sob a força do decreto régio, inaugurando uma condição ambígua que marcaria gerações inteiras tanto no Reino quanto na América portuguesa. O episódio decisivo ocorreu em 1497, sob o reinado de Dom Manuel I, quando a Coroa portuguesa, pressionada por circunstâncias diplomáticas e religiosas, determinou o batismo coletivo da população judaica residente no país. Diferentemente do que ocorrera na...

1630 -

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O século XVII marcou o apogeu da República das Províncias Unidas dos Netherlands, período em que a jovem nação marítima ascendeu ao centro do comércio mundial e consolidou uma das mais vigorosas civilizações mercantis da Europa moderna.  Conhecida pela historiografia como a Idade de Ouro holandesa, essa era não produziu apenas riqueza e expansão ultramarina, mas também um extraordinário testemunho visual de sua própria sociedade. Enquanto grande parte da arte europeia ainda se submetia à idealização aristocrática, a pintura barroca neerlandesa voltou seus olhos para a vida cotidiana, retratando com espantoso realismo os rostos, os corpos e os ambientes da população comum.  Nas telas de Rembrandt, Frans Hals, Johannes Vermeer, Jan Steen e Judith Leyster encontra-se preservada uma verdadeira crônica humana do povo holandês seiscentista e a população dos Países Baixos daquele período apresentava, em sua maioria, os traços característicos das populações do norte europeu, particula...

OS GALEGOS DOS SERTÕES DAS CAPITANIAS DO NORTE

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    A presença holandesa no Nordeste do Brasil, tradicionalmente circunscrita pela historiografia clássica aos engenhos litorâneos e às disputas comerciais em torno do açúcar, possui dimensões muito mais profundas e complexas do que durante longo tempo se admitiu.  Para além das fortalezas costeiras e das batalhas travadas nas capitanias marítimas, a experiência neerlandesa lançou raízes no sertão, penetrando os caminhos ásperos das ribeiras, convivendo com as nações indígenas e deixando marcas demográficas cuja memória ainda ecoa nas tradições do sertão setentrional. Foi o escritor cearense Gustavo Barroso quem ofereceu algumas das mais sugestivas observações acerca desse legado humano ao descrever, nos sertões do Ceará, a sobrevivência de tipos físicos singularmente distintos do padrão luso-mediterrânico dominante.  Em suas observações, surgiam homens alourados, de compleição robusta, acompanhados de crianças de cabelos claros e “olhos cor de safira”, figuras que p...

DECIFRANDO OS SERTÕES DOS GALEGOS

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  Em julho de 2020, uma notícia publicada repercutiu intensamente nos sertões e nas cidades do Ceará ao divulgar uma pesquisa genética que buscava rastrear as origens ancestrais do povo cearense.  O estudo, intitulado GPS-DNA Origins Ceará , apresentou uma investigação considerada pioneira no Brasil, realizada a partir da coleta de 160 amostras de saliva distribuídas por diversas regiões do estado. O material foi enviado para análise em um laboratório especializado nos Estados Unidos, utilizando uma metodologia desenvolvida na Inglaterra e aperfeiçoada pelo geneticista israelense-americano Eran Elhaik, criador da ferramenta denominada Geographic Population Structure (GPS-DNA). A proposta da pesquisa consistia em identificar os chamados “bolsões genéticos” que compõem a formação do povo cearense, cruzando milhares de marcadores de DNA com um vasto banco internacional de assinaturas genéticas. Segundo os pesquisadores, os resultados apontaram forte presença de ancestralidade eur...

OS GANGARRAS DO BANDEIRA

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  Sobrevive a antiga comunidade do Bandeira lá na fronteira do sertão pernambucano, lugar cercado de mistério, memória e resistência, cujos habitantes são conhecidos, há gerações, pelo nome de “gangarras”.  Mais do que um simples apelido popular, a palavra transformou-se em marca identitária de um povo singular, moldado pela dureza da terra, pelo isolamento geográfico e por uma história envolta em lendas, preconceitos e tradições profundamente enraizadas no sertão nordestino. Desde os tempos antigos, o Bandeira chama atenção pelo aspecto físico de muitos de seus moradores, cujos traços destoam da população sertaneja circundante. Entre as casas espalhadas pelas encostas e baixios, não era raro encontrar homens e mulheres de pele clara, olhos azuis ou esverdeados, cabelos louros e nariz afilado, compondo um biótipo que, por décadas, alimentou versões sobre uma possível ascendência europeia.  A tradição oral da região sustenta a hipótese de que aqueles camponeses simples des...