MUSEU DA FAZENDA BOA HORA
O Museu da Fazenda Boa Hora constitui iniciativa de relevante valor histórico e cultural, voltada à preservação da memória rural e familiar no interior do Rio Grande do Norte. Instalado na Fazenda Boa Hora, situada a aproximadamente doze quilômetros do município de Santa Cruz, o espaço foi inaugurado no mês de agosto por iniciativa de Cleudia Bezerra Pacheco, descendente de tradicional família sertaneja e profundamente vinculada à história local.
Filha de Severino Bezerra Cavalcanti e de Auta Pinheiro Bezerra, Cleudia idealizou o museu como forma de resgatar e perpetuar a trajetória de seus antepassados, cuja vida esteve intimamente ligada às atividades agropecuárias. Severino Bezerra, natural de Santa Cruz, faleceu em 26 de fevereiro de 1969, aos sessenta e sete anos, enquanto sua esposa, Auta, oriunda de São Paulo do Potengi, veio a óbito em 7 de novembro de 2004, aos noventa anos. Do enlace matrimonial nasceram quatro filhos: Cleudia, Francisco (já falecido), Manoel e José.
Dotada de sólida formação acadêmica — geógrafa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e mestre em Ciências Sociais —, Cleudia sempre alimentou o propósito de instituir um espaço dedicado à salvaguarda da memória familiar. Em 2004, publicou a obra O tempo como testemunha, na qual narra a trajetória de sua mãe, evidenciando, desde então, seu compromisso com a preservação histórica.
O acervo do museu, constituído a partir de peças resgatadas da própria fazenda, reúne objetos de expressivo valor documental, que testemunham o cotidiano rural de outrora. Entre os itens expostos encontram-se instrumentos ligados à pecuária, como correntes, ferros de marcar gado e estribos, bem como ferramentas agrícolas — a exemplo de chibancas e machados. Integram ainda a coleção utensílios domésticos e pessoais, como lavatórios, penicos, panelas, lamparinas a gás, além de artefatos que ilustram a introdução de inovações tecnológicas no meio rural, como a primeira geladeira a gás da região e um macaco pertencente ao primeiro automóvel de Santa Cruz.
A iniciativa busca não apenas preservar objetos materiais, mas também fomentar a compreensão das dinâmicas sociais e econômicas que marcaram a região, especialmente durante o ciclo do algodão e sua posterior decadência. Nesse sentido, o museu assume papel pedagógico ao proporcionar às novas gerações o contato direto com elementos representativos da cultura sertaneja.
Embora inicialmente instalado na Fazenda Boa Hora, o projeto prevê sua futura transferência para a zona urbana de Santa Cruz, onde deverá contar com estrutura ampliada e maior acessibilidade ao público. O museu permanece aberto à visitação e também à colaboração de interessados que desejem contribuir para o enriquecimento do acervo, consolidando-se, assim, como espaço vivo de memória, identidade e valorização do patrimônio cultural regional.
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