PARQUE TRAIRI
O nome Parque Trairi constitui homenagem direta à região de origem de seu fundador, evocando as terras do Trairi, que abrangem municípios como Santa Cruz e São Bento do Trairi, no interior do Rio Grande do Norte. Cumpre distinguir, entretanto, o Parque Trairi do Parque Santa Rita, este pertencente a uma tia de Expedito, casada com Everaldo, o que revela, no seio familiar, uma tradição já consolidada no ramo dos parques de diversões itinerantes.
Expedito Trajano de Lima, nascido por volta de 1939 e falecido aos oitenta e quatro anos, desde cedo revelou um espírito independente e inclinado à aventura. Ao contrário de seus irmãos, que se dedicaram à agricultura ou à pintura profissional, trilhou caminhos diversos em sua mocidade, exercendo ofícios variados, como o de engraxate e o de garçom, além de se envolver com jogos de bingo. Foi justamente por meio desses jogos que encontrou a porta de entrada para o universo dos parques, iniciando, pouco a pouco, a aquisição de equipamentos que viriam a dar forma ao seu próprio empreendimento.
A trajetória do Parque Trairi acompanha, em linhas gerais, a própria evolução técnica do setor de entretenimento popular. Em seus primórdios, limitava-se a jogos simples, como o bingo e o chamado “rolê moinha”, movidos por mecanismos rudimentares e de acionamento manual. Com o tempo, surgiram atrações mais elaboradas, a exemplo do brinquedo conhecido por “Juju”, ainda operado à manivela. Posteriormente, com a expansão do parque, incorporaram-se estruturas de maior porte, como a roda-gigante e outros equipamentos motorizados, movidos a energia elétrica ou por sistemas de combustão, o que ampliou significativamente o alcance e o apelo das apresentações.
A operação do parque exigia, para os padrões da época, uma logística complexa, marcada pela constante itinerância. Todo o maquinário era transportado em caminhões, percorrendo longas distâncias entre cidades. Ao chegar a cada localidade, a montagem das estruturas dependia, não raro, do apoio das prefeituras e de acordos previamente estabelecidos. As temporadas prolongavam-se por semanas, às vezes meses, mantendo Expedito distante de sua base familiar em Santa Cruz, numa rotina de deslocamentos contínuos.
Seu itinerário abrangia diversas cidades do interior e também capitais, compondo um calendário que se repetia ao longo dos anos. No Rio Grande do Norte, o parque marcava presença em localidades como Santa Cruz, Santana, Currais Novos, Acari e Natal, especialmente por ocasião das festividades de São Sebastião. Já na Paraíba, destacava-se a cidade de Picuí, entre outras paragens que acolhiam, com entusiasmo, a chegada do parque e de suas atrações.
A vida pessoal de Expedito entrelaçou-se, de maneira profunda, com sua atividade profissional. Foi durante uma dessas jornadas que conheceu Lindalva Silva de Souza, natural de Patos, na Paraíba. O encontro deu-se naquela cidade, onde Lindalva trabalhava em um hotel que acolhia viajantes e profissionais em trânsito. À época, Expedito encontrava-se recém-separado de um matrimônio anterior, do qual já possuía filhos. Posteriormente, uniu-se a Lindalva, estabelecendo residência em Santa Cruz, onde fincou as bases de sua vida familiar.
Desse modo, a história do Parque Trairi ultrapassa os limites de um simples empreendimento de diversão itinerante. Ela reflete, em verdade, a trajetória de mobilidade social e geográfica de seu fundador — um homem que, partindo de ocupações modestas, soube, com engenho e perseverança, construir um legado que se inscreveu na memória festiva de inúmeras comunidades do interior nordestino.
Na imagem acima, vê-se o geógrafo Paulo César, filho de seu Expedito, natural de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, acompanhado de sua esposa, também potiguar, natural de Açu.

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